CIGARRO E SILÊNCIO - I
   



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Porque voltei a fumar - II

 

Porque me esqueci de que, entre uma tentativa e outra, passam-se meses, anos. Enquanto isso, o pulmão vai virando carvão.

 

Sempre me preocupo como recaídas iguais às dos amigos Ribola e Repiso. Freqüentemente, essas voltas ao cigarro costumam deixar o fumante frustradíssimo e disposto a “dar o troco” imediatamente. Então, poucos dias depois, ele inicia uma nova tentativa. E se recair pela segunda vez? Este é o grande problema. Duas recaídas seguidas podem ter um efeito muito negativo sobre a determinação de parar. Perde-se o pique, o foco. A vontade vem “em ondas” mas não consegue se firmar.

 

Por isso é que eu recomendo aos novatos que dêem um tempo mínimo para a cabeça. O corpo, esse vai sofrer um pouco mais, não tem jeito. O melhor talvez seja marcar um “Dia D” um pouco mais à frente e criar um clima de expectativa em torno dele. Ou seja, projetar o foco para um, dois meses à frente, sem ficar disparando e caindo, disparando e caindo...

 

Atualmente, estou preocupado com a Freja. Acho que ela está passando por um processo semelhante de perda de foco. Não fuma de segunda a sexta, mas aposto que fica pensando na “festinha do fim de semana”. Ela pode até se recusar a admitir isso, mas a verdade é que um único cigarro no final de semana soa, para o subconsciente, como um prêmio por uma semana ‘limpa”. Com o perdão do trocadilho, que truque sujo, não é?  Nos somos nosso pior inimigo... Pense nisso, Freja, marque um Dia D, comece a contagem regressiva para um final de semana sem cigarro. Que tal?

 

Ah, e quanto a mim? Estou ótimo para dar conselhos, mas pensando o tempo todo em voltar a fumar. Grande lição, companheiros. Depois de 8 meses, volto a pensar nas delícias de um Lucky Strike.  E a propósito da imagem, eu também gostava de um Camel...

 

Sabem de uma coisa? Só não voltei a fumar ainda por causa deste blog. Mas não garanto nada. 

Escrito por Artemus às 13h03
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Motivos de força maior

 

 

Porque voltei a fumar:

 

1.      Porque o tempo passou e só ficou a memória da tragada longa, saborosa, no final da tarde. Todas as tragadas apressadas, sujas, malcheirosas, nos corredores e escadas de incêndio, nos fumódromos frios da vida, desapareceram num passe de mágica.  Detalhe: os cigarros mal fumados são 99% dos cigarros do dia. O cigarro agradável é algo que só existe na nossa memória de ex-fumante.

2.      Porque meu trabalho exige concentração e estado de alerta. E nicotina se encaixa como uma luva nisso. Ela foi minha companheira durante anos, nas noites intermináveis, e testemunhou grandes momentos pessoais. É claro que me lembro disso. Mas me esqueci de que, nos últimos anos, ao deitar lá pelas cinco da manhã, eu já não conseguia respirar normalmente e precisava ficar meio inclinado para dormir.  Esqueci o quanto é desesperadora a sensação de que, mais cedo ou mais tarde, vou ficar sem ar para respirar. Esqueci que, nos últimos meses, eu estava iniciando de fato meu processo de morrer. Quanto tempo ia levar, impossível dizer. Mas a agonia tinha começado, e ela podia ser bem longa.

3.      Porque eu acreditei que tudo seria diferente na nova tentativa. Me espelhei em Graciliano Ramos, que colocava 7 cigarros sobre a mesa e escrevia até o último, depois ia dormir. Perfeito, assim eu controlaria o número de cigarros fumados. Mas não funcionou. Voltei a fumar 20 cigarros apenas durante a noite. E minha memória se encarregou de esconder estrategicamente que Graciliano morreu de câncer no pulmão.

 

Desculpem pelo susto. Esses são alguns motivos que me levaram a voltar ao cigarro em todas as recaídas anteriores. Preciso me lembrar deles e de muitos outros, que quero postar daqui para frente. Talvez assim eu não precise comprová-los na prática. Até porque não sei se teria nova chance de parar.

 

O precipício está logo ali.

Escrito por Artemus às 13h44
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Uma grande redescoberta!

 

 

Beleza, a presença da turma toda. Tava na hora, não é? A gente vai se desligando, desligando... E repararam na reclamação comum? Muitos comentários assinalaram que a vontade de fumar andava por perto. Pois é. Parece que quando a gente se afasta dos papos, o lado escuro da mente volta a trabalhar contra nossa vontade.

 

Que vício terrível, hein? O grilhão psicológico é muito mais pesado do que a dependência química. Eu, Bin, Leumas, todos os mais “velhos” de blog, andamos reclamando dessa memória insensata.

 

Certa vez escrevi um conto no qual o personagem central, um homem solitário, recebe a visita de uma espécie de fantasma feminino. Ela é uma mulher sedutora e silenciosa. Noite após noite, retorna para lhe fazer companhia. Até que finalmente decide ficar. E ficam ambos, o personagem e sua mulher imaginária, travando um diálogo de silêncios noite afora, à espera do dia que jamais chegará.

 

Olha, vou confessar: tô numa vontade danada de pegar um cigarro. Voltaram os trabalhos, tenho noites e noites pela frente, do jeito que eu gosto.

 

E qual é o jeito que eu gosto? Um jeito muito parecido com o do personagem do conto. A mulher misteriosa e sedutora tem muito a ver com a fumaça do cigarro, a sedução da nicotina.

 

Droga, acabei de lembrar: eu gosto de Cigarro e Silêncio! 



Escrito por Artemus às 21h39

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Parei? Que ilusão!

Quase 8 meses sem fumar. E de repente, vem um amigo me convidar para uma pescaria no próximo final de semana. Adivinhem a primeira coisa que me veio à memória? O barco na água, a espera, um palheiro enrolado com calma, jogando conversa fora.

 

O lado traiçoeiro da mente trabalhou rapidinho: por que não fazer a experiência, fumar apenas palheiros durante a pescaria? Assim, eu teria mais um motivo para pescar! E no final do ano, quando tiro dez dias à beira mar, fazendo pesca embarcada? Pode ser outra oportunidade de curtir um bom fumo e largar depois.

 

Incrível, não é?

 

Grande ilusão pensar que parei. Ainda tenho enormes desafios.

Escrito por Artemus às 20h29
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