CIGARRO E SILÊNCIO - I
   



BRASIL, Centro-Oeste, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Esportes, Arte e cultura

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De passagem e de viagem

Amigos,

Passo aqui só para avisar que não vou passar nos próximos dias. Estou de partida para Salvador e só volto semana que vem. Portanto, toquem o barco, blogs vizinhos!

Vocês viram o comentário de um amigo que assina por Socram? Quando tiver tempo, vou falar um pouco sobre ele. Não fuma há vários anos, precisamente desde que se casou (e teve que escolher, é claro). Mas antes disso... Ele era o exemplo perfeito do fumante profissional, daqueles de entupir ralo com bituca. A legião dos tabagistas perdeu um combatente histórico.

Na volta a gente conversa. Abraço a todos.



Escrito por Artemus às 10h31
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Atarefadíssimo!

Amigos, tenho tido muito pouco tempo para aparecer no blog. Os próximos dias, inclusive, devem ser ainda mais complicados. Estou com vários projetos pendentes, e parece que as coisas realmente vão começar a andar agora. Se não como a gente esperava, pelo menos com alguma luz no fim do túnel.  Mas para não deixar passar em branco...

 

Leumas e turma do blog, confesso que fiquei comovido com a atenção de vocês. O que mais me toca é essa torcida a favor. Quando alguém interrompe seus afazeres diários para entrar no blog e deixar uma mensagem positiva, só pode ser movido por solidariedade, esse sentimento tão fora de moda nos últimos tempos. Fiquei tocado, no duro... E descobri que, na blogosfera, somos irmãos da única maneira que se pode ser: desinteressadamente.

 

Mudando de assunto, não tenho problemas para revelar algumas informações pessoais, amigos. Só que, como o blog é destinado à minha luta contra o tabagismo, sempre tive o cuidado de não perder o foco, entendem? Mas estou pronto a prestar esclarecimentos. De antemão, informo que sim, vivo em Brasília; sim, sou escritor, com concentração na produção infanto-juvenil; sim, vivo profissionalmente da literatura, embora muito mais como roteirista; sim, publiquei alguma coisa em editoras de expressão nacional; não, não tenho conseguido escrever ultimamente, embora meu romance mais querido (o último é sempre o mais querido) esteja me olhando lá do fundo da gaveta com olhos chorosos, esperando para ver quando vou me dedicar a ele pra valer.

 

Nos próximos dias, estou pensando em publicar uma Cronologia da Libertação, o que acham? O título parece coisa de evangélico, mas eu estou pensando em listar o meu passo-a-passo pessoal no caminho para fora da dependência da nicotina. Acho que pode ser útil.

 

Vou ficando por aqui, mas não consigo deixar de perguntar: alguém tem notícias do Tabac? O Tabagista anda às moscas... Desconfio que o fumômetro não está confiável, pois parece que o Tabac não tem atualizado desde o dia 13. Estranho, não é? 

 

Abraços e até breve, se o trabalho deixar... 



Escrito por Artemus às 13h35
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O nome disso é vida

Grandes e queridos amigos, estive fora de combate por uma semana. Literalmente! Tive um probleminha de saúde que me retirou do circuito e só agora, aos poucos, estou retomando o ritmo. Então, para compensar um pouco a ausência, vou postar um texto mais longo:

 

Há dez anos resolvi dar uma virada na minha vida e recomeçar do zero em uma nova atividade. Esse tipo de mudança sempre me seduziu, acho que não há nada mais revigorante do que começar de novo.

 

Pois bem. De professor de literatura reconhecido, no auge da carreira, me tornei um obscuro... roteirista de multimídia. E o que é isso, afinal? Se hoje as pessoas não sabem o que eu faço, imaginem em 1995. Mas mudei. Deixei a sala de aula e meti a cara na nova atividade. Aprendi um bocado. Nas horas vagas, aproveitei para fazer literatura e publicar algumas coisas, ganhar uns premiozinhos, etc. E me firmei na profissão, ou pelo menos pensei que tinha me firmado.

 

Nos últimos meses, entretanto, a coisa complicou. Não quero polemizar com ninguém, mas a verdade é que o governo atual não sabe para que serve um computador. Desconfio que a maioria dos ministros não sabe para que serve um livro, então... Cadê trabalho? Cadê projeto de resgate histórico, memorialismo, cadê demanda governamental para ações educativas de ponta? E fico por aqui, porque não quero encher a paciência de ninguém como o governo encheu a minha. E esvaziou meu bolso!

 

No meio do furacão, parei de fumar. E disse, há uns tempos, que se eu conseguisse sobreviver a esse mandato-massacre sem cigarro, nada me faria recair.

 

As coisas ficaram difíceis... A lembrança do cigarro me assaltando nos momentos de crise, nas noites de insônia... Segurei as pontas.

 

E agora, ora, vejam só! Não é que começam a me chamar para outros trabalhos? O governo ainda continua totalmente paralisado, mas algumas boas instituições privadas começam a retomar projetos, a apostar em Information Tecnology, para usar uma expressão colonizada. E lá vai o velho Artemus retomando lentamente o fluxo da vida.

 

Parei, pensei e concluí: tenho 47 anos. Não é mais tempo de recomeçar. De mudar um pouco de rumo, talvez. Mas não vou deixar para trás tudo que aprendi, apenas porque, como diz o Millôr, a ignorância subiu à cabeça de algumas pessoas.

 

E querem saber de uma coisa? Os problemas começam a se resolver sem o cigarro. Da mesma forma, se eu tivesse fumado, isso em nada teria contribuído para resolvê-los. Eu só teria ficado um pouco mais cansado, talvez.

 

Amigos, isso que se enxerga do outro lado da fumaça se chama vida. E o cigarro não tem nada a ver com isso.



Escrito por Artemus às 11h25
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