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A briga do galo com o cachorro

Vocês, com certeza, conhecem aquele desenho em que o galo chega perto do cachorro dormindo e faz um risco no chão, assinalando o limite do alcance do cachorro, que está preso por uma corda. Após aquele risco, o galo está a salvo. Então ele aproveita para provocar o cachorro, correr até além do risco e ficar tirando sarro do coitado. De vez em quando, até dá uma cacetada no infeliz.
Com o cigarro, acontece a mesma coisa. Nesse caso, nós somos o galo, o cigarro é o cachorro. E nós ficamos procurando o lugar certinho para fazer o risco. A partir dele, podemos nos sentir tranqüilos para nossas zombarias. No caso, zombamos do cigarro quando voltamos para a balada, para os jogos de sinuca com os amigos, para as cervejas de fim de expediente. Enfim, para todos os hábitos antigos que tinham o cigarro como companhia invariável. É um jogo de gato e rato, ou melhor, de cão e galo.
Qual é nosso limite de segurança? Quando, exatamente, podemos fazer o risco no chão e conhecer nosso real território livre do cigarro? A partir de quando podemos voltar aos nossos hábitos antigos sem correr o risco da terrível dentada da primeira tragada?
Essa distância não se mede em palmos, mas em dias. No meu caso, a coisa acontece mais ou menos assim:
- Inferno nos primeiros 7 dias;
- Purgatório até os primeiros 30 dias (mau-humor, apetite absurdo, etc);
- Tranqüilidade vigilante dos 30 aos 60 dias;
- Relaxamento dos 3 meses em diante. Bingo!
Quando estou mais relaxado, mais tranqüilo, resolvo fumar um cigarro só por brincadeira. Só para curtir com a cara do cachorro. Ou seja, minha linha é riscada no chão lá por volta do 4o mês de abstinência. Depois disso, eu me divirto em ver o cigarro babando de raiva. Nas vezes anteriores, me diverti tanto que, quando dei por mim, estava fumando de novo.
Agora, dêem uma olhadinha na ilustração e digam: quem é que está brincando com fogo?
Escrito por Artemus às 18h40
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A prova viva!
Postando agora só para provar: lembram daquela minha estória de que não conseguir mais escrever de madrugada, etc e tal? Acho que, agora que o cigarro está ficando mais distante, estou voltando naturalmente à minha dinâmica de vampiro.
E querem saber de uma coisa? Cigarro não tem nada a ver com a encrenca do meu livro. Foi um complicador num certo momento, mas a questão é muito maior. Não posso transferir para o cigarro (ou a ausência dele) a responsabilidade pelas minhas incompetências.
Falando sério? Cigarro é secundário. A gente se livra dele em 3 meses. E a vida continua.
Escrito por Artemus às 05h29
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Repiso Again!
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Para quem ainda não visitou o Só e Mal Acompanhado, Repiso reiniciou sua batalha pessoal. Toda a força para ele, visitas, comments de apoio, etc.
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A cripe se confirbou besbo.
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Estou sentindo falta de algumas visitas antes freqüentes. Alguém sabe me dizer por onde anda Giulia?
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Olha só que número redondo no fumômetro, 4 meses e 20 dias. Bonitinho, né?
Para não cair na mesmice
Companheiros, o Cigarro e Silêncio está entrando naquela fase em que não há muitos lances emocionantes a narrar, nenhum caso de impulso controlado, nenhum namoro cara a cara com o vício. Como vocês podem constatar, nos últimos dias venho blogando drops, mais para registro. Por outro lado, quando falamos sobre as diversas formas de "acondicionamento" do tabaco, deu para falar um pouco mais.
Que tal levantarmos alguns temas polêmicos para alimentar os blogs? Alguma sugestão?
Escrito por Artemus às 02h41
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Quem tem amigo...
Não morre pagão. O fumômetro já está ativo, devidamente distribuído em meses e dias. Obrigado ao Leumas, de quem devo ter tirado algumas horas de sossego. Quanto à minha relação com o cigarro, nunca estivemos tão distantes. Ainda mais agora, com uma gripe me rondando. Só tem uma coisinha que começou a me incomodar. Minha mulher fuma, como voces sabem. Pois é. O cheiro está incomodando. Mas eu não ligo, nem comentei sobre isso. Ela tem muitas outras qualidades e aromas. :))
139 dias é igual a...
2.780 cigarros. Já livrei meu pulmão de muito asfalto, hein, pessoal?
Escrito por Artemus às 16h11
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Ah, se eu fumasse!
Teria acabado com uma carteira ontem à noite. Ô joguinho terrível! Espero não perder para a Argentina nos próximos 20 anos. Pelo menos não perder com um salto alto daqueles!
Bin, Repiso, Leumas, se vocês resistiram ao jogo, estão próximos da invencibilidade.
Mudança no fumômetro
Tô precisando de uma assessoria para mudar o fumômetro. Acho que a contagem dos dias perdeu o impacto. Quero fazer um fumômetro nas seguintes bases: "Estou há X meses e XX dias sem fumar". Quem pode me dar uma força, galera?
Escrito por Artemus às 17h33
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Bem lembrado, Tabac!
A propósito do post sobre charutos, Tabac fez um alerta importante: notaram como, ultimamente, a mídia tem revestido os charutos de um charme todo especial? Agora, fumar charutos ficou chique. A TV mostra clubes exclusivíssimos com mulheres sugando enormes Cohibas. Arghh!! (não para os Cohibas, e sim para as mulheres fumando charuto, coisa mais esquisita do mundo).
O mais engraçado é que o apelo é o mesmo dos anos 40 e 50 em relação ao cigarro. A tentativa de copiar o glamour de Bogart e Bacall, o lance altamente estético da fumaça enevoando os filmes noir. A diferença é que, lá da telona, Bacall não fede. Nem morre mais cedo.
Escrito por Artemus às 23h05
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Aprenda a morrer lentamente e com estilo - Parte III

Finalizando a consultoria, vou falar sobre minha experiência com os charutos. E acho importantíssimo alertar para um detalhe: a intenção, aqui, não é apresentar uma tese sob a ótica de um especialista no assunto. Aí eu estaria fazendo propaganda, concordam? A intenção é bem outra: mostrar o quanto esse vício é perigoso. Sem publicidade, portanto.
Charutos:
Caramba... Será que um dia irão inventar algo mais sublime que um Cohiba? Para quem é apaixonado pelo tabaco, como eu, um havana legítimo é simplesmente maravilhoso. Só que eu nunca consegui fumar o tempo todo sem tragar. E nunca pude arcar com o custo de fumar Cohibas. Quanto custam hoje? 80, 90 reais a unidade? Nem lembro mais... Em tempo: quem me disser que existe charuto decente fora da ilha não sabe o que é tabaco. No Brasil, então, é piada.
Parecer: MORTAL
Delicioso e fatal. Para o pulmão e para o bolso. Cada havana deve corresponder a uma carteira de cigarros comuns inalados. A morte é certa, mas vai muito bem com licor de uísque depois do jantar. Freud que o diga, com suas 20 cirurgias para tratamento de câncer bucal.
E vou encerrando por aqui, ok? Respondendo ao Sandro, a questão do narguilé já foi tratada nos comentários. Não vou abordar essas formas menos usuais de consumo de tabaco, pois creio que elas ficam mais no campo das curiosidades. Não considero que rapé ou fumo mascado seja, hoje em dia, uma opção a ser considerada.
Precinho de ocasião
Por curiosidade, dei uma banda na internet para ver o preço do Cohiba. Uma caixa de Explendidos, com 24 unidades, sai pela bagatela de 665 dólares americanos, ou R$1.640,00. Coloque impostos, taxas de envio e otras cositas, acho que não é exagero pensar em R$ 2.000,00 a caixa. Isso representa cerca de R$ 83,00 por charuto.
É o que se pode chamar, realmente, de falência múltipla dos órgãos.
Escrito por Artemus às 13h47
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Cigarro de palha faz menos mal?
Vou abrir uma pequena pausa na consultoria para dar uma resposta mais detida a uma pergunta do Tabac: o cigarro de palha é mais tóxico que os cigarros de papel?
Sabe aquele espírito riponga que nos assalta de vez em quando e nos leva a crer que tudo que tem aparência natural não faz mal à saúde? Pois é exatamente assim que me sinto em relação ao palheiro. O cigarrinho de fumo picado é tão lúdico, tão caipira, tão brasileiro, tão contracultura que a gente tem uma vontade danada de achar que ele é inofensivo. Mas não é, amigos. Sabe de onde vem aquela cor preta das cordas de fumo do qual o palheiro é feito? Vem do altíssimo teor de nicotina, o mais alto entre todos os produtos do tabaco.
O cigarro de palha dá a impressão de ser menos danoso por uma razão: a gente fuma pouco comparativamente ao Marlboso de cada dia. Um urbanóide como eu fuma, em média, seis palheiros diários. Aí, faz as contas e fica satisfeitíssimo com a redução na quantidade. Só esquece de considerar que fumou apenas seis porque é impossível fumar mais do que isso! Cada palheiro é fumado em quatro ou cinco etapas, porque é tão forte que não se consegue fumá-lo de uma vez! A questão é que cada palheiro concentra a nicotina de vários cigarros industrializados.
Pense comigo:
- Se o cigarro de palha fosse tão inofensivo, seria chamado folcloricamente de “estoura peito” e “mata rato”?
- Se o palheiro é pouco tóxico, por que deixa resíduos tão fortes que os dedos ficam amarelos permanentemente?
- Por que será que os caipiras chamam os cigarros industrializados de "cigarros mansos"?
- Você já viu a tosse horrorosa de um fumante de cigarro de palha com anos de dependência? Já percebeu a textura grossa, densa, da salivação constante dos picadores de fumo? É de dar náusea.
Eu gostaria, realmente, de ver uma comparação entre o cigarro industrializado e o de palha, para medir o real teor de dano ao organismo de cada um. Mas sei de uma coisa: todos os sites médicos condenam o uso do tabaco em todas as suas variantes, inclusive o fumo de rolo e seus subprodutos, os palheiros. Transcrevo a seguir a opinião presente no site Medyta – Medicina e Trabalho (http://www.medyta.com.br/info_dicas.html):
"Todos os derivados do tabaco cigarros, charutos, cachimbo, fumo de rolo e rapé, que podem ser usados nas formas de inalação (cigarro, charuto, cachimbo, cigarro de palha), aspiração (rapé) e mastigação (fumo-de-rolo), são nocivos à saúde. No período de consumo destes produtos são introduzidas no organismo mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo nicotina (responsável pela dependência química), monóxido de carbono (o mesmo gás venenoso que sai do escapamento de automóveis) e alcatrão, que é constituído por aproximadamente 48 substâncias pré-cancerígenas, como agrotóxicos e substâncias radioativas (que causam câncer)."
E se não fosse por nada disso, meus amigos, eu deixaria meu relato pessoal: honestamente, depois de conhecer os dois tipos de cigarro, não sei qual deles me mataria mais rapidamente. Mas sei que eles estavam trabalhando bem em conjunto!
Escrito por Artemus às 22h45
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Aprenda a morrer lentamente e com estilo - Parte II
Dando seqüência à consultoria sobre as várias maneiras de se intoxicar e feder:
Cachimbos:
Num dos muitos momentos em que eu já não agüentava mais fumar uma carteira por noite, trabalhando até as 5 da manhã, tive a brilhante idéia de fumar cachimbos. Afinal, não iria tragar, o dano deveria ser bem mais leve. Para deixar a coisa ainda mais estimulante (o vício tem tudo a ver com isso), me estabeleci o seguinte: para cada prêmio literário em que entrasse uma grana legal, eu me daria de presente um cachimbo de alto padrão. Resultado: tenho na estante um Savinelli italiano e um Big Ben holandês, além de uns nacionais honestos (concursos de contos, sabem como é...). E como foi o final da aventura? Abandonei os cachimbos porque não suportava meu cheiro no final da noite. Eu tinha que tomar banho às 5 da madrugada!! Isso sem contar a incrível sujeira nos cinzeiros. Além do mais, quem disse que eu parei com o cigarro? Eles estavam lá durante o dia, é claro.
Parecer: INVIÁVEL
Bom para babar muito, sujar as mãos, os cinzeiros, a mesa, a alma, a casa e ficar empesteado. Ah, e muito bom, também, para cânceres bucais e gengivas sangrentas.
Escrito por Artemus às 11h34
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Aprenda a morrer lentamente e com estilo – Parte I
A propósito das dúvidas do amigo Repiso, inicio hoje uma consultoria em 3 posts sobre o lento processo de morrer. O consultor sou eu, é claro. Vejam se não tenho currículo para isso: uma perfuração espontânea do pulmão, uma passagem pela UTI, 30 anos de tabagismo feroz e suicida. Então vamos lá, falando sobre a primeira opção, palheiros. Na seqüência, falarei sobre cachimbos e charutos:
Palheiro (cigarro de palha):
Foi o que fumei nos últimos anos, na esperança de que o trabalho artesanal de enrolar os cigarros me fizesse diminuir o consumo. E funcionou, durante um certo tempo. Acabei me tornando um erudito no assunto. Passei a comprar palhas de milho finíssimas, diretamente dos fabricantes. Numa ocasião, fui à capital nacional das palhas de milho, Sales Oliveira, no interior de São Paulo. Fiz contato direto com um fabricante e passei a ser o único usuário, em Brasília, das Palhas Larissa, tão finas que você vê a mão do outro lado.
Em outra ocasião, parei em Curvelo-MG para comprar o famoso fumo Cruvelano, vermelho, de trança dupla, fino e forte; estive em Arapiraca-AL, terra do fumo nordestino, de cheiro forte e sabor ardido (os fumos de “saquinho”); na feira de Jaboatão dos Guararapes, grande Recife, à procura dos pequenos fabricantes alternativos.
E assim fiz minha pesquisa de campo por todo o Brasil, o que me levou à seguinte conclusão: o melhor fumo de corda nacional chama-se Capoeirinha, produzido no povoado do mesmo nome no município de Patos de Minas – MG. Fumei-o durante uns 4 anos. Até que surgiram os palheiros de caixinha e eu aderi a eles, o que foi fatal. Palheiros industriais eliminaram a grande dificuldade de se parar no decorrer do dia para enrolar um cigarro.
Parecer: REPROVADO
Sem essa de que fumo de palha é menos nocivo porque não contém substâncias químicas. É verdade, mas apenas em parte. A palha de milho contém doses cavalares de enxofre, e o fumo é tratado com herbicidas pesadíssimos. E, no final das contas, mesmo que você consiga adotar o padrão realmente artesanal, vai acabar fumando 5 ou 6 cigarros de palha por dia, o que equivale, em teor de nicotina, a uma carteira norma. Nos meus últimos dias de fumantes, fumando apenas o Capoeirinha, não consegui atingir uma condição normal. Mesmo com a reduzida cota de 6 cigarros, ainda sentia muito cansaço e dificuldade para dormir.
Boas novas!
De volta à ativa o Só e Mal Acompanhado. Repiso, estamos na luta!
Escrito por Artemus às 19h58
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Contabilidade rápida
- Fumar um cigarro compromete? Não acredito.
- Fumar uma carteira? Ninguém morre por causa disso.
- E se forem 10 carteiras? Aí se ganha uma baita ressaca de 200 cigarros.
- E se você fumar 2.000 cigarros? Bom, aí já é um bocado de asfalto pulmão adentro.
Estou só fazendo continha rápida. Em 127 dias sem fumar, deixei de inalar 2.540 cigarros. Alguém consegue se imaginar fumando essa quantidade? Certamente não. Isso só prova que o tabagismo, em sua prática diária, é realmente um lento e imperceptível processo de morrer. De cigarro em cigarro, sem a gente ver.
Mais continhas
"O prazer de fumar está ligado à interação imediata da nicotina com receptores dos neurônios situados em áreas do cérebro associadas às sensações de prazer e de recompensa e à busca da repetição do estímulo que provocou o prazer. Se um cigarro for consumido em dez tragadas, o autor calcula, o cérebro do fumante de um maço por dia verá esse circuito repetir-se 73 mil vezes por ano. E pergunta com lógica cristalina: que outra droga provoca 73 mil impactos de prazer num ano? Nessa pergunta elementar está a resposta à dificuldade enfrentada pelos 80% ou mais dos que fracassam na tentativa de abandonar o cigarro. Nela está a explicação de por que é mais difícil largar do cigarro do que do álcool, da maconha, da cocaína, da heroína, da morfina ou do crack."
Do site do Dr. Drauzio Varella - http://www.drauziovarella.com.br , sobre o livro "O Cigarro", de Mario Cesar Carvalho.
Escrito por Artemus às 16h44
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