CIGARRO E SILÊNCIO - I
   



BRASIL, Centro-Oeste, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Esportes, Arte e cultura

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Uma idéia nada brilhante...

Um amigo gozador me deu a seguinte sugestão, claro que em tom de brincadeira: criar uma notícia de impacto no blog, algo bem marqueteiro, para turbinar o número de acessos.

A sugestão de meu amigo era uma mistura de dramalhão mexicano com truque de mágico de rua. Agora, que cheguei aos quatro meses de abstinência, eu deveria anunciar que iria enfrentar o grande desafio: fumar durante um tempo curto - digamos, um final de semana - e depois voltar à minha rotina de não fumante, novamente livre. O desafio seria precedido de uma contagem regressiva com um outro tipo de fumômetro, que teria mais ou menos esses dizeres:

Faltam X dias para eu voltar a fumar.

Uma coisa é preciso reconhecer: este seria o fumômetro mais alucinado de toda a net. Segundo o autor da proposta, a volta ao normal, depois deste fim de semana esfumaçado, me daria o domínio definitivo sobre o cigarro. A vitória final. Bem, pelo menos até uma nova idéia genial do amigo em questão.

Perceberam que lógica louca? O raciocínio seria o seguinte: "estou fumando para provar que não preciso mais fumar." Mas eu estaria provando a quem? Ao cigarro? Neste caso, eu estaria fazendo um desafio a ele, um estúpido desafio de encarar a fera de peito aberto, sem nenhuma defesa a não ser meu extraordinário controle mental.

Isso lembra alguma coisa a vocês? Algum cigarrinho filado em festa, fim de noite, só de curtição, depois de um tempão limpo?

Resumo da opera: da proposta de meu amigo, tirei duas conclusões:

  • Parar de fumar não é exercício de controle mental. Se tivéssemos realmente esse domínio, seríamos monges tibetanos, e não fumantes. Nada de brincar com a fera, não desta vez.
  • Foi por essas e outras que Houdini morreu naquela caixa cheia d’água.

 


Blog novo na área!

O Cigarro e Silêncio saúda a estréia do mais novo blog não fumante: o Faísca e Fumaça. Como diz o Bin, Leumas, que a força esteja com você!



Escrito por Artemus às 16h47
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Tá lá no fumômetro!

Quatro meses. Nada mal. Mas fico pensando na responsabilidade que o Cigarro e Silêncio, junto com outros blogs, vai assumindo a cada dia. E não há nada de mérito pessoal nisso. É apenas o blog de um cara - no caso, eu - que está tentando parar de fumar e vem conseguindo, por um certo tempo. Blogs muito melhores vieram antes deste. Um deles, o Tabagista Anônimo, felizmente continua ativo, referência para todos nós. Foi a  partir dele que decidi encarar o desafio de fazer o Cigarro e Silêncio. Quem visita o Tabagista tem um retrato pungente e primoroso do difícil processo de abandono da dependência. Todos os momentos estão lá: a primeira tentativa, a auto-confiança excessiva, a recaída, o distanciamento... e a volta, o recomeço, o vigoroso tic-tac do fumômetro novamente ativo. Fumômetro que, aliás, multiplicou-se aqui.

Mas estou falando do Cigarro e do Tabagista quando, na verdade, não quero falar de nenhum dos dois. Quero falar do... Só e Mal Acompanhado. Fico pensando por onde andará o amigo Repiso, cujo extraordinário esforço de parar (vindo de uma rotina de 60 cigarros/dia!!), foi acompanhado com espanto por todos nós. Pois bem, o Só e Mal Acompanhado está, ao que tudo indica, abandonado. Repiso não deu sinal de vida, embora seu fumômetro continue pulsando, solitário, no topo da página. Testemunha de uma tentativa abortada? Mas e daí? Por que seu dono não volta, zera a contagem e recomeça? Será que sentiu o peso da responsabilidade? Terá ficado constrangido por ter voltado a fumar depois de 14, 15 dias de abstinência? Será que ele percebe que aqueles 14 dias valem muito mais do que meus últimos três meses sem fumar? E aí vem a grande pergunta: será que essa contagem do Cigarro, ao invés de estimular, não inibe quem tenta enfrentar publicamente o inferno dos primeiros dias?

Acho que nunca vou ter essas respostas. Não sei se criar um blog representa um estímulo pessoal ou, por outro lado, uma tremenda barreira para novas tentativas em caso de fracasso. Sinceramente, não sei. Mas gostaria de mandar um recado ao Repiso: compadre, ninguém garante que eu não volte a fumar amanhã. Bem, eu não garanto, e quem conhece minha longa e suicida trajetória de fumante sabe que falo sério. E se eu voltar, sabe o que eu vou fazer? Vou entrar aqui e postar uma declaração certamente dolorosa. E vou pedir apoio da turma, pois que sei que outros, importantíssimos, imprescindíveis, vitais, estarão a postos, me acompanhando: o Tabagista Anônimo, o Binonikaum... o Só e Mal Acompanhado?

Escrito por Artemus às 23h10
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Um jogo de sedução

Peguei esta imagem emprestada do Fumo, Logo Insisto, porque quero levantar uma questão importante, que começou a ser discutida lá. Vocês já imaginaram se as carteiras de cigarro perdessem aqueles designs maravilhosos, de extremo bom-gosto? Aquela estética chamativa?

 

Qual seria o apelo para os jovens candidatos a fumantes se, ao invés de uma linda embalagem, os cigarros viessem num pacote opaco, da cor de papel de embrulho, apenas com o antigo nome em preto e os dados de composição química? Que vontade um adolescente sentiria de colocar no bolso algo parecido com um pacote de padaria?

 

Há algum tempo discutimos como a memória dos belos maços de cigarro  nos acompanhou no tempo. Eu me lembro das carteiras de John Player, pretas com letras em dourado, que fumei durante anos apenas porque tinham um diferencial estético em relação às outras. Pelas mesmas razões, fumei Minister king size...

 

E não sei, honestamente, se eu começaria a fumar na adolescência comprando e exibindo pacotes de veneno de rato. Vocês não acham que uma campanha contra o fumo, para proibir realmente o apelo publicitário, começaria por uma padronização do design dos maços, além daquelas figuras do Ministério da Saúde presentes nos versos? 

 



Escrito por Artemus às 11h16
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Fumômetro inaugurado!

Com as orientações de Tabac e Bin, eis que o fumômetro do Cigarro e Silêncio entra em funcionamento, já na marca dos 113 dias limpos. Essa quilometragem tem sido uma grande força para mim, e espero que para mais gente também. Vamos cuidar para não perdê-la, Artemus!

Agora estou me aproximando dos perigosos quatro meses de abstinência. Lembro desse prazo fatídico em minha última tentativa. Quatro meses e uns dias depois de parar, acendi um cigarro num acesso de raiva. Deu no que deu, mais três anos botando o pulmão pela boca.

Vamos ver daqui pra frente. Estou atento. Sei que a tal da auto-confiança será minha grande inimiga. Mas eu acho que nunca estive com a crista tão baixa... Tão quieto e com medo de voltar a fumar. Só penso na minha marca de ouro, os sete meses, que consegui faz uns bons anos. É lá que quero chegar. E já estou na metade do caminho.

Quero comentário de todo mundo que anda pelaí, sem dar sinal de vida, ok? Giulia, Repiso, Sandro, cadê vocês? Já falei que fumar é o de menos se a gente está junto. Um dia todos nós vamos conseguir nos livrar desta porcaria. Pra vocês, vai um ditado popular: "Catitu fora da manada é comida de onça!"

 

 



Escrito por Artemus às 21h12
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Um momento muito especial

Primeiro, leiam o post anterior (Dizendo algumas verdades a mim mesmo). Depois leiam este, que é, na verdade, um comentário transcrito. Este é, realmente, um momento muito especial para mim.

Amigão, não sei se você lembra, mas meu pai faleceu, devido às complicações de uns 40 e poucos anos de tabagismo, EXATAMENTE como você descreveu nessa história. Realmente me arrepiei com a semelhança. Inclusive meu pai, dias antes de nos deixar, me pediu para que parasse de fumar. À ele, dedico minha vitória pessoal de ter parado. Hoje tem quase 3 anos e meio.
Maycon |  16/05/2005 18:26


Resposta:

Maycon, este é um momento muito especial no blog. A história é sua, meu amigo! Eu não tive coragem de te pedir para publicar, pois sabia que isso ia mexer com sentimentos muito pessoais. Assim, optei por não citar nomes. Pois fique sabendo que este blog é, também, uma homenagem a teu pai. A frase dele me marcou muito. Tudo que fiz depois, para tentar me livrar do cigarro, teve a ver com o que ele disse. Sem saber, teu pai também me ajudou. Grande abraço.



Escrito por Artemus às 19h01
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