CIGARRO E SILÊNCIO - I
   



BRASIL, Centro-Oeste, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Esportes, Arte e cultura

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Chamado à razão

A resposta vai para todos que, de uma forma ou de outra, têm uma parcela de força no puxão de orelhas geral que levei. Vocês estão certos. Bin, Giulia, Tabac, Idelber, meu novo compadre Naturalista, todo mundo. Até quem entrou no blog e balançou a cabeça desiludido mas não teve paciência de encarar a esfinge do uol (a tal senha para postagem de comentários).

O adesivo de nicotina foi uma tentativa. E acho que foi algo muito diferente do que se faz normalmente, estou certo? Não conheço ninguém que tenha parado, se desintoxicado e, só aí, partido para os adesivos. Só mesmo uma inteligência vacilante como a minha para inventar uma desssas. Culpa da abstinência? Sei lá...

O fato é que não deu certo. Experimentei uma vez e me senti mal demais da conta, como já disse. Olho pra caixinha e tenho engulhos. Vou tentar seguir os conselhos de Tabac e Idelber, promover alguma mudança de horários, experimentar uns estimulantes naturais. Tem que haver uma saída, não é? Vejam só: acabei de assistir ao Brasil X Uruguai. Jogo nervosíssimo. Em outros tempos, eu teria fumado uns 6, 7 cigarros. E nem lembrei dos famigerados! Só agora, blogando, foi que me toquei para isso. Meu primeiro jogo nervoso do Brasil sem cigarro, e tudo tranquilo. Ora, se é assim nesses casos, deve haver uma maneira de ser tranquilo também para trabalhar, concordam?

Está decidido. Vou fazer todas as tentativas possíveis de encontrar minha hora zero sem mexer com nicotina, tenha ela o formato que tiver.

Obrigados gerais.



Escrito por Artemus às 01h40
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63 dias. E nicotina!

Quem já frequenta o blog, sabe que meu processo é bem maluco. Quem está chegando agora, precisa ficar sabendo.

O negócio é o seguinte: completei hoje 63 dias sem fumar. Até aqui, adotei o "método brutíssimo". Cortei os cigarros de uma vez no dia 25 de janeiro. De lá para cá, enfrentei o inferno dos primeiros sete dias, o purgatório do primeiro mês, e por aí vai.

Acontece que, para mim, o ato de parar de fumar não é tudo. Na verdade, é apenas uma pequena parte do problema. A questão não é apenas ficar livre do cigarro, é conseguir fazer isso e produzir. Este é o problemão. Ainda não estou conseguindo escrever nas madrugadas. Bate o sono, a falta de concentração, o cansaço. Então resolvi apelar.

O que eu fiz? Comprei aqueles adesivos de nicotina e coloquei um no peito. Bem, o sono realmente foi embora, e parece que consegui me aproximar mais da minha "hora zero" (vide o post anterior). Me senti mais focado, mais persistente. O trabalho parece que andou... um pouquinho.

Mas acordei numa ressaca terrível. Náusea. Ânsia de vômito. Credo.

Tirei o adesivo, passei o fim de semana sem ele. Nicotina através da pele não tem a menor graça. Não dá nem de longe o barato do cigarro e ainda me deixou mareado.

Mas acho que ajudou. E agora? Acho que vou cortar o adesivo em dois e tentar novamente. Minha tática é simples: se funcionar, assim que pegar o ritmo do livro largo o adesivo. Garanto a vocês que essa porcaria não vicia nunca. Nada a ver com fumar, creiam-me. Meu estômago que o diga.

Quanto aos dois meses limpo, viva!!! Firme rumo ao recorde!



Escrito por Artemus às 13h08
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Tango, Zero Hour

Piazzolla deu o nome de Tango, Zero Hour ao disco que, hoje, é considerado unanimemente sua obra-prima. Para quem gosta do jazz em suas variantes menos ortodoxas, o nome é, com o perdão do trocadilho, música para os ouvidos.

Zero Hour. Não confundir com zero hora, sinônimo de meia-noite. Fiquemos com a tradução exata: zero hour = hora zero. Mas o que seria, de fato, essa hora zero? Segundo Piazzolla, seria um momento impreciso entre a meia-noite e o amanhecer. Nesse instante escorregadio, a alma do tango, a paixão e a melancolia afloram nas ruas, botequins, casas noturnas de Buenos Aires. Na hora zero de Piazzola, o tango vive.

Durante mais de vinte anos, eu também tive minha zero hour. Ela podia começar às duas, duas e meia da manhã, e estender-se madrugada adentro. Na minha zero hour foi que produzi meus livros, peças, contos. Não me perguntem como, mas, em um determinado momento, entre uma xícara de café e o próximo cigarro, eu ultrapassava uma porta em direção ao meu território pessoal. Tudo que fiz, o melhor de mim, busquei naquele território.

Hoje caminho pela casa como um fantasma patético, sonolento. Sorvo xícaras de café e tateio buscando a porta de minha zero hour. Mas falta um elemento para compor a ponte: o cigarro. A memória desliza, pisa em falso, o pensamento perde-se. Sono.

Lispector disse certa vez que, quando não estava escrevendo, estava morta. Como ela, estou aqui, falando de meu túmulo.

Não, amigos, não estou contente. Não ganhei nada até agora. Ainda não cruzei a ponte que deixará o fumo para trás. Esse é o meu grande desafio.



Escrito por Artemus às 11h53
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Ave, Tabac!

Grandes razões para uma festa no blog, não fosse a incapacidade do autor em inserir gifs e outros adereços de apelo visual. Meu blog é insosso, eu sei. Mas as boas-vindas são de coração!

Ele está de volta, amigos. Estou falando de Tabac, do Tabagista Anônimo. Depois de um tempo afastado, eis que dois posts no blog nos deixam animados. Temos companhia de peso daqui pra frente!

Tabac é simplesmente o responsável pela existência do meu blog. E ele nem sabia disso. Explico: quando iniciei minhas pesquisas sobre o tema, fui parar no Tabagista Anônimo. O blog estava um tanto abandonado. Tabac andava por aí, numas suspeitíssimas férias, às voltas com seus oito cigarros por dia. Pensei, pensei... E fui em frente, montei o Cigarro e Silêncio, pensando com meus botões: "enquanto o cara dá um tempo, outros precisam pegar a bola e continuar o jogo".

O Tabagista é uma jóia. Tabac escreve como ninguém. Melhor do que todos nós. Desconfio que, por trás daquele template transadíssimo (sentiram a inveja?), uma consciência laudatória nos espreita. Tabac deve ser um redator, editor, roteirista, enfim, alguém que vive do texto. De uma forma ou de outra.

Tabac, sem perceber, talvez esteja construindo um pequeno romance. Ao fim e ao cabo, daqui a um ano, ele terá percorrido toda a via-crucis do fumante: o vício – a abstinência – a recaída – a abstinência definitiva. Torço para que seja assim, tenho certeza de que o será. Tabac será o nosso Zeno que deu certo.

E chega de comemorações, vamos ao trabalho. Muito bem, Tabac, qual é a nova data?



Escrito por Artemus às 11h15
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Eu prometi, mas...

Calma, pessoal, não fumei. É que eu tinha decidido não colocar matérias alertando para os malefícios do fumo. O que não falta é site competente sobre o assunto, concordam? Mas desta vez encontrei um texto que realmente me abalou. Ele trata da rotina de um doente de enfisema. Caramba... Fico pensando até onde pode ir nossa falta de respeito para com o próprio corpo. E no futuro que estavamos construindo com cada carteira comprada na padaria.

O texto é triste. Mas, se você está pensando em continuar a fumar, vale como um pequeno painel do que poderá ser sua rotina daqui a alguns anos. A íntegra pode ser lida no site do dr. Drauzio Varella. O endereço é  http://www.drauziovarella.com.br/arquivo/arquivo.asp?doe_id=8

Recomendações a quem sofre de enfisema:

  • Execute as tarefas enquanto estiver expirando;
  • Adote o critério de respirar com os lábios contraídos (posição de assobio), deixando apenas uma passagem pequena para o ar. Inale pelo nariz. Expire vagarosamente e com firmeza;
  • Pare e descanse assim que sentir falta de ar;
  • Inale oxigênio suplementar sempre que necessário;
  • Planeje seus afazeres. Defina o meio mais eficiente e menos cansativo para executar suas tarefas;
  • Estabeleça prioridades. Você não pode executar tudo da forma que estava acostumado. Escolha o que é prioritário;
  • Controle-se. Mantenha um ritmo lento e contínuo para executar suas tarefas. Evite concentrá-las em determinados momentos;
  • Estabeleça períodos de descanso ao longo do dia;
  • Para vestir-se, barbear-se ou aplicar maquiagem, sente-se;
  • Sempre que possível, use roupas folgadas, fáceis de vestir e de despir;
  • Se você estiver acima de seu peso, emagreça. O esforço para suportar o peso excedente é grande e desnecessário. Coma alimentos com pouca gordura e muita fibra.
  • Nas relações sexuais, aprenda a valorizar as atitudes preliminares: conversar, tocar, beijar e afagar. Planeje sua atividade sexual para os dias que estiver com mais energia. Não tente fazer sexo quando estiver cansado(a) ou após uma refeição substancial. Peça ao parceiro(a) para ser mais ativo(a)

    É pra gente pensar muito, não é? 


  • Escrito por Artemus às 12h30
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    De passagem...

    Povo, obrigado pelos comentários. Giulia, uma piadinha politicamente incorreta (do jeito que eu gosto): o que é melhor na velhice, Alzheimer ou Parkinson? Alzheimer, sem dúvida, porque é melhor esquecer de pagar a cerveja do que entorná-la no chão.

    Bin, Machado é forte. Pessimista, etc e tal, mas é um gênio da raça. Ele não deixa de ter razão numa coisa: a gente aprende tudo da vida e, quanto está pronto, tá na hora de morrer. Isso é uma droga.

    Quanto à concentração, é irritante. Fumando, eu era capaz de me concentrar no texto durante 4 horas. É vero! Sem levantar pra nada, acreditam? Quando olhava no relógio, eram 4 e meia, 5 da manhã. E hoje? Pego o texto, quebro cabeça, perco o fio do fio do fio da meada e, depois de uma hora de tentativa, bate o sono. Vou dormir mau-humorado, frustrado, jurando que se o livro não deslanchar amanhã, acendo um cigarro. Mentira, é claro. Vou voltar a escrever é na marra.

    Eu acho.

    Fiquem em paz. Em tempo: 53 dias. Yesssss.

     

     



    Escrito por Artemus às 19h03
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    Onde eu estava mesmo?

    Minha memória está uma droga. Até que ponto o cigarro interfere nisso? A bem da verdade, nunca tive uma grande memória prática. Mas a memória literária sempre foi muito boa.

    Acho que vou experimentar um desses trequinhos que, segundo dizem, deixam a gente com 40 gigas de hd. Memoriol, etc. Depois eu digo se funciona.

    Tem problema, não. Julia (my romance) disse que me carrega pra lá e pra cá se eu ficar caduco. Pensando bem, acho que ela já me carrega pra lá e pra cá. Será? Não lembro...



    Escrito por Artemus às 14h34
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    Fazendo as contas

    51 dias sem fumar. Caramba... Isso dá mais de 7 semanas. Só quem fuma sabe o que é ficar 7 semanas sem cigarro.

    Pois aqui vai uma constatação: não há nada de mais em ficar 7 semanas sem fumar. A grande conquista é aquela alcançada nos primeiros dias, mais exatamente na primeira semana. Depois, se você permanecer atento, o resto vem de brinde. É claro que tem aquele perigo da recaída a qualquer momento, mas isso é outra estória. Estamos falando da libertação da dependência química e psicológica, aquela fase em que a falta do cigarro dói em cada artéria. Sete dias, gente. Sete dias roendo o osso. Depois o sol brilha. Não vale a pena?

    Como eu disse em um post anterior, eu até que me diverti, se isso é possível, nos sete dias de inferno. Comuniquei à mulher, filhos, amigos e aderentes que eu estaria "fora de mim" nos próximos 7 dias. E pronto, tirei férias interiores! Assim:

    • Peguei uma série inteira do Friends na locadora. Riso sempre ajuda;
    • Tomei banho de banheira pra relaxar e dar sono;
    • Dormi como uma porca parida, com televisão ligada e ventilador. 8, 9, 10 horas de sono por noite;
    • Encomendei pizza, sanduíche, o que me veio à cabeça. E comi sem culpa. As meninas, é óbvio, se solidarizaram com garfo e faca nas mãos.

    Tudo isso ajudou um bocado, ajudou barbaridade! Claro que doeu, ninguém se desintoxica sem sacrifício. Mas, quando vi o quinto dia chegando, percebi que eu ia ficar, no mínimo, muito tempo longe do cigarro.

     Agora entrei numa fase meio besta do processo. Vejam só: quem ficou 51 dias, fica 52, 53,e por aí vai. O cigarro não está mais "tocaiando" na esquina. Já não estou mastigando com tanta ansiedade, e minha vida entrou numa rotinazinha feijão-com-arroz, sem grandes sobressaltos.

    Pra quem se preocupa com o ganho de peso, aqui vai uma notícia interessante: ganhei 3 quilos e meio nos primeiros 30 dias. Sem brincadeira. E depois, não ganhei mais nada. Na minha última tentativa, onde estabeleci o recorde de 7 meses sem nicotina, cheguei aos 82 quilos. Desta vez, acho que vou parar nos 80. É que a granola já está cansando, entendem? De qualquer forma, mesmo que eu ganhasse 10 quilos, não hesitaria. O que é melhor, um gordo que briga com a balança ou um magro que implora para respirar?

    Com relação à produtividade: a briga continua pesada depois das 23 horas. Quebro cabeça com o livro até lá pelas 2, 3 da manhã, e aí fico com sono. Mas estou indo.



    Escrito por Artemus às 14h17
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